SINOPSE
O filme começa em 1944, quando a psiquiatra Nise da Silveira volta ao Hospital Pedro II, no Engenho de Dentro, depois de 2 anos de prisão e 6 de exílio. Lá se depara com novos métodos de tratamento, como o eletro-choque e a lobotomia. Ao se recusar a executar os novos métodos, Nise é rebaixada para a Terapia Ocupacional, uma área comandada por enfermeiros. Ela encara a oportunidade como um desafio, uma forma alternativa aos métodos vigentes e constrói naquele espaço uma “ilha de amor” dentro do Hospital. Cria oficinas de jardinagem, bordado, dança, teatro e o ateliê de modelagem, desenho e pintura. Passa a tratar os pacientes como clientes e dá a eles a oportunidade de se expressar através da arte. Ali são revelados grandes artistas, antes considerados incuráveis, e aí começa sua viagem pelo inconsciente.
Seu trabalho começa a gerar resultados, Nise ganha confiança e passa a levar os internos para passeios na praia e na Floresta da Tijuca. Outra grande descoberta acontece quando percebe a importância dos animais na convivência com os esquizofrênicos e passa a entregar cães para que seus “clientes” cuidem deles. Em pouco tempo os animais ganham o status de co-terapeutas. O tratamento dá grandes resultados, transformando-os em pessoas mais calmas, afetuosas e comunicativas.

Ao aprofundar o estudo das obras, Nise descobre que estas expressavam sentimentos guardados, muitas vezes reprimidos, que aqueles pacientes não tinham capacidade de externar. Imagens que vinham do inconsciente. Nise mergulha na obra de Jung, seu grande mentor, com quem começa uma longa correspondência. Jung a aconselha a estudar a mitologia, e assim Nise estabelece outro alicerce de seu trabalho.

As praticas de Nise têm grande impacto tanto dentro quanto fora do hospital. De um lado os médicos; defensores da psiquiatria convencional que viam em Nise uma ameaça, de outro os intelectuais e artistas, que tinham grande admiração e passam a freqüentar o Hospital, ajudando-a a desenvolver seus métodos de tratamento.

A única forma de reagir aos constantes ataques dos médicos que Nise encontrou foi mostrar ao mundo o que se passava no Engenho de Dentro. Mesmo acreditando que mais que obras de arte, as pinturas e esculturas dos pacientes eram documentos da importante pesquisa que fazia, foi pela arte, através de uma grande exposição, que Nise salvou seu trabalho. A cobertura da imprensa, e a notoriedade que alcançou transformou sua realidade no hospital, trazendo uma relativa melhora nas condições de trabalho. Mesmo assim, Nise se recusou a vender qualquer obra, demonstrando assim que as imagens do inconsciente, até hoje guardadas no Museu, não são mercadorias, mas partes indissociáveis de uma bela estrada pelas profundezas da psique humana.

Nise da Silveira nunca foi modesta. Uma intelectual estudiosa e obstinada que dedicou sua vida aos livros, aos loucos e aos animais. Sempre soube da grandeza de seu trabalho e nunca desviou de seu foco, nem por dinheiro, nem por fama. Nise sempre contestou, sempre olhou para onde ninguém olhava e baseou todo seu trabalho no afeto. E através disso, descobriu entre os loucos miseráveis e incuráveis, artistas considerados geniais pelos críticos de arte.

O filme conta a incrível história de amor entre essa heroína e seus artistas que surgem de um dos piores lugares da terra: o hospício do Engenho de Dentro.

FICHA TÉCNICA
Direção: Roberto Berliner
Produção Executiva: Rodrigo Letier e Lorena Bondarovsky
Fotografia: André Horta
Direção de Arte: Daniel Flaksman
Figurino: Cris Kangussu
Produção de Elenco: Guilherme Gobbi e Dani Pereira
Roteiro: Flavia Castro, Mauricio Lissovsky, Maria Camargo e Chris Alcazar
Roteiro Final: Patricia Andrade e Roberto Berliner
Distribuição: Imagem Filmes